Mesmo com todos os livros e filmes feitos sobre a tão sonhada viagem no tempo, a verdade é que fazer os anos passarem mais rápido ou voltarem no passado não passa de uma ideia mirabolante da ficção científica. Mas, afinal, porque isso é tão complexo de ser alcançado? Por que, o tempo corre para frente e não nos permite voltar atrás?

O assunto é um tanto complicado de se explicar, como você deve imaginar, e envolve conceito científicos fora do cotidiano de nós, pessoas comuns; mas vamos tentar explicá-lo. Aliás, tudo está intimamente ligado a dois fatores principais: a entropia e a complexidade do universo.

Não entendeu nada, não foi? Bom, com base um estudo de Ian O’Neill – um especialista do Discovery News, que publicou recentemente um artigo sobre o tema na revista Physical Review Letters -, entropia é uma grandeza física com dimensões (energia e temperatura), que determina quão irreversível pode ser um determinado sistema.

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Assim,  o tempo é descrito como uma sistema que começa em um estado de baixa entropia e que, com o passar dos anos – impulsionado pelo termodinâmica (ou seja, pela temperatura e pela energia), a entropia aumenta. Então, pensando por essa forma, o passado teria baixa entropia (incapaz de ser reversível) enquanto o futuro, por sua vez, teria alta entropia (com grandes possibilidade de ser alterado).

Dessa forma, tomando como base o Big Bang – que marca a origem do mundo e da passagem de tempo como conhecemos – , esse evento criou um universo de entropia mínima. Por outro lado, ao longo das eras, conforme o universo foi se expandindo e se organizado, sua escala de entropia foi aumentando e permanece crescente até hoje.

Do mesmo modo, o aumento da complexidade do universo está diretamente ligado ao tempo e a sua forma de passagem. É por isso que, quanto mais o tempo avança, mais estruturado parece o universo.

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Especialistas no assunto chegam a ir além. Segundo afirmam, a gravidade e sua tendência em criar ordem e estrutura (ou melhor dizendo, complexidade) a partir do caos é outro fator que interfere na incapacidade de fazer o tempo voltar atrás e reforça a baixa entropia do passado e o crescente aumento da entropia do futuro.

Juntado as peças desse quebra-cabeças, os cientistas explicam que, voltando ao Big Bang, o universo começou em seu estado de menor complexidade, em meio ao que eles chamam de sopa de partículas quentes de desordenadas. Mas, à medida que o universo começou a esfriar e a tomar forma, permitindo que a gravidade começasse a agir, tudo em em seu redor evoluiu.

É como o gelo, que possui baixa entropia quando retorna ao estado líquido e tem suas partículas bagunçadas. E, no entanto, quando esfria e se solidifica, acaba organizando suas moléculas e se tornando mais estruturado. Sua entropia aumenta porque a transferência de calor ocorre dentro dele.

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Da mesma maneira, em escala universal, à media que o universo amadurece, nossa percepção de tempo é coordenada pelos crescimento contínuo de sua complexidade e por sua entropia dominante. Em outras palavras, nossa percepção de tempo é o resultado da uma lei que determina o crescimento irreversível, impossível de voltar atrás; da complexidade.

Portanto, dá para dizer que não seria possível voltar atrás no passado porque, simplesmente, não dá para desconstruir tudo que foi construído e feito ao longo de tantos anos. Para isso, seria preciso descobrir uma forma de fazer uma grande bagunça em tudo que já foi estruturado até hoje…

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