Raquel Santos, finalista do concurso Musas do Brasil, teve uma parada cardíaca e morreu após se submeter à cirurgia de preenchimento no rosto, o popular “bigode chinês”, cirurgia realizada para retirar marcas de expressão do sorriso. O caso aconteceu no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (11/1), mas foi divulgado apenas na tarde do dia seguinte.

Segundo relatos de Gilberto de Azevedo, marido de Raquel, ainda na clínica de estética a mulher reclamou de falta de ar e coração acelerado. Após o procedimento, ela foi encaminhada a um hospital de Niterói, e quarenta minutos depois, teve a parada cardíaca. A modelo de 28 anos deixa dois filhos.

De acordo com a cirurgiã plástica Ivanoska Filgueira, a operação de preenchimento facial dificilmente levaria a uma parada cardíaca. É um procedimento simples, que em muitos casos não precisa de anestesias. Para ela, a grande parte das complicações em cirurgias plásticas acontecem quando o paciente omite do médico informações pessoais, como uso de suplementos alimentares, anabolizantes e até anticoncepcionais.

“Uma série de produtos reagem com a anestesia e podem provocar reações. Grande parte do público que procura cirurgia plástica faz academia, toma pré-treino e termogênicos para melhorar os resultados. Tudo isso aumenta a frequência cardíaca”, explicou Ivanoska.

“O anabolizante reage com a anestesia, o anticoncepcional faz crescer risco de trombose durante a cirurgia, e cigarro de necrose”, enumerou a cirugiã. Segundo o marido de Raquel, a mulher tomava muitos remédios, além “de fumar muito, dois maços todos os dias”, contou Gilberto.

Narcisismo
 

Gilberto de Azevedo ainda relatou que a mulher era aficionada por cirurgias plásticas: “Ela estava doente com essa busca pela beleza. Já tinha colocado silicone, em 2014; feito nariz, queixo e bochechas em 2015; e na semana passada tinha feito um enxerto no bumbum.”

De acordo com Ivanoska Filgueira, o médico deve se recusar a fazer a cirurgia quando perceber excesso de preocupação do paciente com a própria aparência.

“Eu já recusei fazer operação no nariz de uma modelo que disputava um concurso de miss. Ela queria mexer na pontinha do nariz, coisa muito pequena. A pessoa fica obcecada em chegar à perfeição, cabe ao profissional de saúde dizer não e segurar o impulso”, opinou Ivanoska.

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