Uma droga utilizada para tratar o câncer foi capaz de reduzir sintomas relacionados ao Alzheimer em ratos. Ela conseguiu, inclusive restaurar algumas funções da memória. No passado, pesquisadores suspeitavam que um sistema imunológico muito ativo poderia estar relacionado com a doença; agora, começam a acreditar no contrário.

“O sistema imunológico do cérebro fica extremamente ativo no Alzheimer, e existe um debate sobre essa questão, se essa ativação protege, faz mal, ou um pouco dos dois. Muitos cientistas acreditam que acalmar esse sistema é um tratamento eficaz contra a doença. Mas remédios que fazem isso não obtiveram muito sucesso nos testes clínicos. “, diz a cientista Tara Spires-Jones

O estudo, realizado pelo Instituto de Ciências de Israel, analisou ratos que foram geneticamente modificados para expressarem altos níveis de uma versão mutante da proteína precursora de amilóide. Apesar de os cientistas não saberem exatamente o que ela faz, eles apontam que ela está relacionada à produção do aminoácido beta amilóide. Por sua vez, o aminoácido é conhecido por formar placas tóxicas encontradas no cérebro de pessoas com Alzheimer.

Os ratos foram medicados com drogas que, geralmente, são dadas a pacientes com câncer, para bloquear uma via específica que reduz a atividade do sistema imune. O remédio atua desativando um mecanismo que o próprio sistema constroi para que ele pare de atacar células saudáveis. Achou estranho? É um pouco, mas, assim como na quimioterapia e radioterapia, algumas células saudáveis são sacrificadas para acabar com o tumor.

Quando as drogas foram dadas aos ratos, 50% das placas desapareceram e eles ganharam de volta a habilidade de fazer o caminho de um labirinto – isso indica que alguma parte da memória foi recuperada.

Os resultados são promissores. Apesar disso, trabalhar com ratos e trabalhar com humanos são coisas completamente diferentes: “Tratamentos prévios que miravam no sistema imunológico mostraram bons resultados em ratos e falharam em humanos. Nós ainda precisamos de alguns anos para saber se esse tratamento é eficaz para pessoas com Alzheimer”, diz o pesquisador Doug Brown.

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