Qualquer um que tenha passado horas quase se matando na esteira sabe que mais exercícios nem sempre é igual a mais peso perdido. Agora, uma nova pesquisa pode explicar por que esta relação não é tão simples assim. Os cientistas descobriram que, depois de um certo ponto, os nossos corpos parecem adaptar-se a níveis elevados de atividade e param de queimar calorias extras.

Se confirmado, isso significa que talvez seja necessário repensar a fórmula de gasto de energia que frequentemente ouvimos ser a chave para perda de peso. O estudo dá uma forte razão para a dieta ser tão importante – se não mais ainda – quando se trata de perder aqueles quilos a mais que insistem em permanecer no nosso corpo.

Mas calma. Não é para cancelar sua filiação na academia. Antes de tudo, a pesquisa mostrou que é só quando nos exercitamos além de um nível de atividade moderada que nossos corpos parecem parar de queimar calorias extras. E em segundo lugar, os benefícios do exercício vão muito além da perda de peso.

“O exercício é muito importante para a sua saúde”, enfatiza o pesquisador Herman Pontzer, da Universidade da Cidade de Nova Iorque, nos EUA. “Essa é a primeira coisa que eu menciono a alguém que pergunte sobre as implicações deste trabalho para os exercícios. Há toneladas de evidências de que o exercício é importante para manter nossos corpos e mentes saudáveis, e este trabalho não faz nada para mudar essa mensagem. Só acrescenta que as pessoas também precisam se concentrar na dieta, particularmente quando se trata de gerir o peso e prevenir ou reverter o ganho de peso insalubre”, explica Pontzer.

Moderação e adaptação

O estudo também ajuda a fornecer algumas novas ideias sobre uma contradição de longa data que existe na pesquisa da perda de peso. Enquanto alguns estudos mostram que o aumento dos níveis de exercício leva as pessoas a queimarem mais calorias, grandes estudos comparativos em humanos e animais têm demonstrado que populações que levam estilos de vida muito ativos – como os caçadores-coletores na África – parecem queimar em torno do mesmo número de calorias do que aqueles que são muito mais sedentários.

Para explorar a ligação ainda mais, Pontzer e sua equipe monitoraram os níveis diários de gastos de energia e de atividade de mais de 332 adultos que vivem em cinco países da África e América do Norte, ao longo de uma semana.

Seus resultados mostraram que a atividade física têm uma pequena influência sobre a quantidade de calorias queimadas, mas só até um certo ponto.

O que isto significa é que as pessoas com níveis de atividade física moderada, na verdade, queimam cerca de 200 calorias a mais do que as pessoas mais sedentárias. Mas qualquer um que faz exercícios além de níveis moderados de atividade não vê quaisquer benefícios adicionais em termos de calorias queimadas.

“As pessoas mais ativas fisicamente gastam a mesma quantidade de calorias a cada dia quanto pessoas apenas moderadamente ativas”, afirma Pontzer.

A boa notícia em tudo isso é que Pontzer acredita que pode haver um ponto certo para a atividade física – se não fizermos exercícios o suficiente, nós nos tornamos pouco saudáveis, mas se o fizermos de forma demasiada, nosso corpo pode acabar compensando.

Exercícios ainda devem ser prioridade

Os resultados foram publicados na revista Current Biology, e a equipe agora vai investigar exatamente como o corpo pode se adaptar a todo o exercício extra sem queimar calorias adicionais.

Nesse meio tempo, é provavelmente uma boa ideia dar uma olhada em sua dieta, se você quer perder peso este ano. Só não esqueça que o exercício ainda pode salvar sua vida.

“É um estudo interessante e há uma possibilidade de que, se formos muito, muito ativos, pode haver alguma adaptação”, afirmou o nutricionista Frankie Phillips, que não esteve envolvido no estudo, ao jornal The Guardian. “Mas para a maioria das pessoas uma atividade moderada não é sequer o que elas estão conseguindo no momento e isso é crucial. Não vamos desencorajar as pessoas antes mesmo delas terem chegado a um estágio onde são moderadamente ativas”, alerta.

[Science Alert]

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