1 – Ela foi fundada por acaso

Seu nascimento foi discreto. Lá em 1553, 13 jesuítas construíram uma cabaninha de pau-a-pique para a realização de um trabalho missionário: cristianizar os índios que habitavam as terras entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú. A trupe, comandada pelos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, fundava, ali, sem querer, uma nova cidade. A cerimônia oficial da fundação só ocorreu quase um ano depois, no dia 25 de janeiro de 1554 – aniversário da conversão do apóstolo Paulo, que deu nome à urbe. Três anos depois, a casinha cresceu, deu lugar ao o Colégio dos Jesuítas e seu entorno foi nomeado Pateo do Collegio, que hoje é uma cápsula do tempo: uma construção colonial com um jardim bucólico, preservado bem no meio da cidade, como uma lembrança dos tempos em que as mulheres lavavam roupa no Tamanduateí.  

patio do colégioMilton Jung/Flickr

2 – Se ela fosse um país, estaria entre os 60 mais ricos do mundo

São Paulo teria o 58º PIB do mundo, de US$ 137 bilhões, caso fosse uma nação independente. A cidade estaria logo à frente da Hungria e da Ucrânia, e um pouco atrás da República Tcheca. É pouco. Nos idos de 2011, quando o câmbio estava em R$ 2 para US$ 1, o PIB em dólar da cidade era bem maior. E se São Paulo fosse um país, seria a 40º economia do mundo, com US$ 280 bilhões – acima de nações mais robustas, como Chile, Portugal e Finlândia, e já fungando no cangote de Israel e Dinamarca. Tempos bons aqueles.

vista aérea de são pauloAndré Deak / Flickr

3 – Viver nela é muito legal? mas já pode ir embora?

Uma pesquisa do Ibope divulgada no último dia 19, mostrou que 68% dos moradores da cidade mudariam de São Paulo se pudessem – um índice surpreendentemente alto para uma cidade que ostenta o posto de capital cultural, econômica e gastronômica da América Latina. Já a motivação para tamanho potencial de exílio não surpreende ninguém: 92% dos entrevistados afirmaram que a falta de segurança é o grande problema da cidade.

escada rolante de aeroportoPaula Cristina/Flickr

4 – Recebeu a primeira partida de futebol do Brasil

14 de abril de 1895, uma data histórica para o esporte: pela primeira vez, uma bola de futebol rolou em solo brasileiro. A primeira partida do país aconteceu em um campo paulistano, na Várzea do Carmo, hoje parte do bairro do Cambuci. O São Paulo Railway, time de Charles Miller com mesmo nome da primeira estrada de ferro paulista, jogou contra a equipe da Companhia de Gás. Vitória dos homens dos trilhos, por 4 a 2. Os dois times eram formados por peladeiros ingleses que moravam em São Paulo.

Charles miller futebolWMiller/ Arquivo

5 – É a maior cidade japonesa fora do Japão

São Paulo é a 56ª maior cidade… do Japão. Moram 326 mil descendentes de japoneses em São Paulo, o que faz dela a cidade mais nipônica fora do arquipélago oriental. Contando a região metropolitana inteira, são meio milhão de descendentes, o que tornaria a Grande São Paulo uma ‘cidade japonesa’ de médio porte, equivalente a Osaka e Hiroshima.

bairro da liberdadeFlickr/Vivian Farinazzo

6 – A frota de motos cresce três vezes mais rápido que a de carros 

Mais um pouco e o problema do trânsito estará resolvido: vai ser só jogar asfalto por cima dos congestionamentos eternos e começar tudo de novo. Em 10 anos, a frota de carros cresceu 40%, de 3,6 milhões para 5,1 milhões – sem, obviamente, que o território da cidade aumentasse em contrapartida. Resultado: com o trânsito parado, a cidade ficou ainda mais dependente dos motoboys, e os cidadãos comuns que precisam ir e voltar todos os dias do trabalho, das motocicletas. Tanto que o número de motos cresceu muito mais do que o de carros particulares: foi um aumento de mais de 130%, subindo de 365 mil em 2005 para os 833 mil que temos hoje.

motoboyFlickr/ Milton Jung

7 – Falta água – mas não debaixo do asfalto

Racionamento eterno à parte, água doce é o que não falta. Além dos rios gigantes que cruzam a cidade, como o Pinheiros, Tietê e Tamanduteí, há centenas de outros que acabaram escondidos pelo asfalto e prédios do crescimento não planejado da cidade. Estima-se que há 1.500 km de rios escondidos nos subterrâneos da capital. Para encontrar – e preservar – essas nascentes e leitos, a própria população vem se movimentando. Iniciativas como a ONG Rios e Ruas e o projeto colaborativo Rios Invisíveis tentam mapear esse tesouro líquido (e secreto) da cidade.

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